Nunca é Tarde para o Inglês

"Mãe", pergunta se já podemos escolher a refeição", pediu o filho Paulo para Martha Kalic, 66 anos, no restaurante do navio durante a sua última viagem para a Argentina e Uruguai, em 2007. "Excuse-me, can I order the dinner?", indagou educadamente a aposentada ao garçom, após escolher o prato para o jantar. Martha garante que esta foi apenas uma das inúmeras vezes que teve que colocar o seu inglês fluente em prática nos passeios internacionais com a família e os amigos. E com tanta desenvoltura, enganam-se os que acham que ela aprendeu o idioma na adolescência. Martha pronunciou as primeiras palavras inglesas aos 50 anos e, até hoje frequenta aulas semanais. Na sua avaliação, a língua estrangeira lhe "abriu o mundo".

"Já completei todos os níveis do curso com minhas colegas, mas não consigo parar. Quero mais e mais. É uma formação cultural maravilhosa", conta Martha, que ao lado de Berenice Valente, 66 anos, Nedda Novaes, 54, e Maristela Guimarães, 57, espera anciosa pelas segundas-feiras para aproveitar ao máximo as duas horas da classe, na Escola Blue Bell Idiomas, direcionada a alunos da terceira idade. "E o meu contato com o inglês não se restringe ao curso. Em casa, ainda faço os deveres, leio livros e vejo filmes. O estudo exige o resgate do vocabulário e das regras gramaticais, para que não se esqueça de nada quando é preciso", completa Martha.

A professora da turma, Cláudia Garcia Mol, 41 anos, confirma a dedicação das estudantes e se orgulha em afirmar que, desde 1995, está ensinando e aprendendo com as "amigas". "No começo do ano, eu cogitei a entrada de um novo professor e elas rejeitaram. Felizmente, criamos uma cumplicidade grande. Nas aulas, conversamos sobre problemas, nos divertimos com episódios interessantes das nossas vidas e falamos muita bobagem. Tudo em inglês, é claro", alerta a "teacher".

Cláudia conta que a própria dinâmica específica das classes para os idosos coopera para este ambiente agradável dentro da sala. "Trabalho a memória delas, em como são capazes de desenvolver e guardar a estrutura da língua. Portanto, insistimos em brincadeiras e recriamos situações cotidianas. Tudo isso aliado a um material didático pré-estabelecido e caminhadas educativas. A fluência delas, tanto escrita como oral, está excelente", elogia.

Matéria publicada no Jornal Hoje em Dia 04/05/10

 

 

 

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